quarta-feira, 22 de maio de 2019

CARIRI CANGAÇO EM QUIXERAMOBIM



Programação Cariri Cangaço Quixeramobim 2019

PROGRAMAÇÃO CARIRI CANGAÇO
QUIXERAMOBIM 2019

SEXTA-FEIRA 
Dia 24 de Maio de 2019 

17h – Sessão Solene Extraordinária
Câmara Municipal de Quixeramobim
Título de Cidadão a
MANOEL SEVERO GURGEL BARBOSA

17h30min - Solenidade de Abertura 
Memorial Antonio Conselheiro
Quixeramobim, Ceará
Mestre de Cerimônia
Aílton Siqueira
17h40min – Formação da Mesa de Autoridades
17h45min – Hino Nacional
Cecília do Acordeon
Redenção-CE

17h50min – Apresentação do Cariri Cangaço
Por Conselheiro
Ângelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE
O
18h - Fala das Autoridades

18h30min - Entrega de Diplomas aos Homenageados
Pedro Igor Azevedo
Bruno Paulino
Francisco Antônio Rabelo
 Neto Camorim
Goreth Pimentel

Entrega por Conselheiros e Convidado
Luiz Ruben Bonfim
Paulo Afonso-BA
Manoel Serafim
Floresta-PE
Professor Pereira
Cajazeiras-PB 
Rangel Alves da Costa
Poço Redondo-SE
Jorge Figueiredo
Grupo Sertão Nordestino 

19h10min -  Comenda a Antônio Vicente Mendes Maciel 
Em Memória - "Personalidade Eterna do Sertão"
Roberto Maciel
Por Personalidades
Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros
Rio de Janeiro-RJ
Mucio Procópio Araujo
Natal-RN

19h20min - Entrega de Comendas às Instituições
"Equipamento Imprescindível
 à Memória e Cultura do Sertão" 
IPHANAC
AQUILETRAS
FUNDAÇÃO CANUDOS
ESCOLA E.F.M.HUMBERTO BEZERRA
 ESCOLA E.E.PROFISSIONAL DR.JOSÉ ALVES DA SILVEIRA
Por Conselheiros e Convidado:
Elane e Archimedes Marques
Aracaju-SE
Aderbal Nogueira
Fortaleza-CE
Cristina Couto
Lavras da Mangabeira-CE
Ana Lúcia Souza
 Petrolina-PE 
Betinho Numeriano
Floresta-PE

19h30min - Posse de Novo Conselheiro do Cariri Cangaço

19h35min - Entrega da Premiação do Concurso
"Antônio o Conselheiro do Brasil" 
das Escolas de Quixeramobim 
Homenagem Póstuma a Marcílio Maciel
Sérgio Machado
Fundação Canudos
Terezinha Oliveira
AQUILetras
Linda Lemos
Academia de Letras Juvenal Galeno
Paulo Roberto Neves
ACLA - Academia Ciências ,Letras e Artes Columinjuba 

 19h40min - Conferência de Abertura
"Igreja e República Frente ao Mundo Beato 
O Martírio de Antonio Conselheiro"
 Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros
Rio de Janeiro-RJ  

21h45min - Apresentação de Encerramento
Quirino Silva e Célia Maria
João Pessoa-PB

SÁBADO
Dia 25 de Maio de 2019

8h30min - Saída para Visita Técnica

9h - Fazenda e Vila da Canafístula Velha

9h10min - Descerramento de Quadro Comemorativo à Memória de 
Dona Marica Lessa - Guidinha do Poço
Capela da Sagrada Família
Manoel Severo
Fortaleza-CE
Bruno Paulino
Quixeramobim-CE
Rodrigo Honorato
Exu-PE

10h15min - Apresentação
"O Rabicho da Geralda"
Francine Maria
Ibiapina-CE

10h30min – Conferência 
“O Sertão de Dona Guidinha”
Bruno Paulino
Quixeramobim-CE
Carlos Alberto Silva
 Natal-RN
 Carlos Alberto Carneiro
Fortaleza-CE 

11h30min - Lançamento
“Os Milagres de Antônio Conselheiro”
Arievaldo Viana
Fortaleza-CE
Bruno Paulino
Quixeramobim-CE

12h00min - Lançamento
"Dona Marica Lessa"
Paulo de Tarso, o Poeta de Tauá
Tauá-CE

13h - Almoço Literário na Fazenda Barro Doce
Forró Pé de Serra
Cecília do Acordeon e Artistas da Terra

13h45min - Roda de Conversa
Facilitadores
Pedro Igor e Manoel Severo
O
“O que ficou de Antônio Conselheiro
e Canudos no Imaginário Popular de Quixeramobim”
Goreth Pimentel
Quixeramobim-CE
“Os Caminhos de Conselheiro”
Neto Camorim
Quixeramobim-CE
"Santo Antônio dos Mares e o Rio Grande do Norte"
João da Mata Costa
Natal-RN

Lançamento
"Lampião em 1927 - A Marcha dos Bandidos"
Luiz Ruben
Paulo Afonso-BA
16h – Visita ao Salva Vidas
Capela de Nossa Senhora das Graças

16h15min - Apresentação
"Antonio Conselheiro"
Francine Maria
Ibiapina-CE

 "A História de Antônio Conselheiro"
Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre
Fortaleza-CE
                                        
Lançamento
“O Cinema dos Fósseis”
Alan Mendonça
Fortaleza-CE

NOITE

20h30min
Praça da Matriz
Boemidade

Lançamento
"À Cidade"
Mailson Furtado

Varjota-CE
Ganhador do Prêmio Jabuti 2018

Programação Sugerida
Show Musical na Ponte Metálica 
Country Bar
David Einstein

DOMINGO
Dia 26 de Maio de 2019

8h30min - Conferência de Encerramento
Hotel Veredas
"Antônio Vicente Mendes Maciel: O Homem, O Mito”
Múcio Procópio
Natal-RN

9h10min - Lançamento
"Luiz Gonzaga nos Carnavais"
Coronel Marcelo Leal
Fortaleza-CE
9h40min - Saída para Caminhada
Roteiro Histórico de Quixeramobim
Bruno Paulino
Ciro Barbosa
Beto Camurim

Casa de Dona Marica Lessa – Guidinha do Poço
Casa de Antônio Conselheiro
Casa de Manoel Bandeira
Casa de Câmara e Cadeia
Igreja Matriz de Santo Antônio

Cariri Cangaço Quixeramobim 2019

Realização
INSTITUTO CARIRI DO BRASIL
Co-realização
IPHANAC
Apoio
AQUILETRAS - ACADEMIA QUIXERAMOBIENSE DE LETRAS
FUNDAÇÃO CANUDOS
PREFEITURA MUNICIPAL DE QUIXERAMOBIM
CÂMARA MUNICIPAL DE QUIXERAMOBIM
SBEC- SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO
GECC - GRUPO DE ESTUDOS DO CANGAÇO DO CEARÁ
GPEC-GRUPO PARAIBANO DE ESTUDOS DO CANGAÇO
ICC - INSTITUTO CULTURAL DO CARIRI
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO PAJEÚ
ACADEMIA LAVRENSE DE LETRAS
ACLA-ACADEMIA DE CIÊNCIAS LETRAS E ARTES DE COLUMINJUBA
SOCIEDADE CEARENSE DE GEOGRAFIA E HISTORIA
Mídia e Redes Sociais
GRUPO LAMPIÃO CANGAÇO E NORDESTE
GRUPO OFICIO DAS ESPINGARDAS
COMUNIDADE O CANGAÇO
GRUPO HISTORIOGRAFIA DO CANGAÇO
O CANGAÇO NA LITERATURA
GRUPO SERTÃO NORDESTINO
PROGRAMA RAÍZES DO SERTÃO
ODISSÉIA DO CANGAÇO

quarta-feira, 8 de maio de 2019

ANTÔNIO CONSELHEIRO EM CORDEL





Poetas Arievaldo Vianna e Bruno Paulino lançam cordel sobre os milagres de Antônio Conselheiro

Por Diego Barbosa



Ilustração de Arievaldo Vianna para o livro de sua autoria e Bruno Paulino

Lançamento acontece nesta sexta-feira (10), às 17 horas, na Livraria Lamarca (Avenida da Universidade,2476 - Benfica) ; na ocasião, Bruno Paulino também lança, de forma individual, o livro Ofertório dos Pássaros.

Das memórias que Arievaldo Vianna carrega consigo da época de infância, aquelas relacionadas às caminhadas com a avó Alzira são ternas e ultrapassam o componente afetivo: remontam a conhecimentos importantes, adquiridos à boca pequena. Ao visitar o município de Quixeramobim, ela fazia questão de mostrar ao neto os lugares históricos e relembrava episódios de seus antepassados.
Um desses saberes, que o poeta batizou em livro de "Lições informais de história", diz respeito à casa de Antônio Conselheiro e o sobrado onde ainda funciona a Câmara Municipal da cidade. Falando-se propriamente do antigo lar do líder do movimento messiânico que reuniu milhares de sertanejos no arraial de Canudos, no Nordeste da Bahia - para resistir às tropas do Governo Federal, em novembro de 1896 -, o escritor recorda ter iniciado, ali, uma relação de estreitamento com a figura do histórico e relevante personagem.
"Eu nasci no sertão Central, na divisa de Quixeramobim com Canindé, onde hoje é Madalena. E, desde pequeno, o Conselheiro foi um personagem que me fascinou. Mas eu nunca tinha feito nada em cordel a respeito dele", explica Arievaldo.
A nova empreitada do poeta, realizada com outro autor quixeramobinense, Bruno Paulino, dá um basta a esse hiato. "Os milagres de Antônio Conselheiro" traduz, nas celebradas rimas da cultura popular, os feitos mágicos do "peregrino", como ele se autodenominava. A obra será lançada nesta sexta-feira (10), às 19h, na Livraria Lamarca. Na sequência, um bate-papo com os autores terá mediação de Zeca Lemos, representante da nova safra de escritores da cidade.
Na ocasião, Bruno Paulino também lançará, de forma individual, seu quinto livro, "Ofertório dos Pássaros", estreia solo no gênero poesia.

Memória
Com prefácio assinado pelo jornalista e pesquisador Gilmar de Carvalho e ilustrações de Arievaldo Vianna e Jô Oliveira, o cordel começou a ter seu projeto modelado há cerca de dois anos, quando uma iniciativa do Sesc-Ler convidou os autores para ministrar oficinas sobre o tema, ampliando perspectivas.
Segundo Arievaldo, "Canudos nem existia quando ele fez o primeiro milagre. Chegou em Monte Santo, onde havia uma seca muito grande, pediu para pregar e traçou uma cruz na parede da Igreja com o cajado. Começou a pingar água do teto do templo naquele mesmo momento". Com criatividade, o feito é narrado no cordel, aliado a outros tantos.




Poetas quixeramobinenses, Bruno Paulino e Arievaldo Vianna iniciaram o projeto de "Os milagres de Antônio Conselheiro" a partir de oficinas organizadas pelo Sesc-Ler (Foto: Tarcísio Filho)

Bruno Paulino ressalta ainda que a obra teve como base capítulos do livro "O Capitão Jagunço" (1946), do escritor Paulo Dantas. "Claro que recorremos a outras fontes, como Euclides da Cunha, Ariano Suassuna e José Calazans, pois nossa intenção era também evocar outros aspectos da mística do Beato, como a pregação apocalíptica e o Sebastianismo latente em Canudos", detalha.
Perguntado sobre a relevância de as pessoas ainda hoje se debruçarem sobre a personalidade de Antônio Conselheiro, Arievaldo não titubeia:
"Hoje, mais do que nunca, sua figura é importante para mostrar às pessoas que, por mais humildes que sejam, elas são capazes de uma reação, de se insurgir contra um sistema que está oprimindo, massacrando, retirando direitos, tirando a liberdade, privando das coisas mais elementares".




domingo, 28 de abril de 2019

BELCHIOR NO CADERNO 'VERSO' DO DN


Dois anos sem Belchior: autoexílio ainda inspira dúvidas e obras do cantor seguem reverenciadas

Por Rômulo Costa, romulo.costa@verdesmares.com.br
(Fonte: DIÁRIO DO NORDESTE)




Mesmo após sua partida, o "rapaz latino-americano" se mantém como figura enigmática e simbólica para os fãs, admiradores e amigos

As perguntas que Belchior deixou em suspenso quando partiu para o autoexílio continuam ecoando no pensamento de quem conviveu com o cantor antes ou depois do "sumiço". Na próxima terça-feira (30), a morte do cearense completa dois anos e, ainda hoje, os amigos se voltam ao episódio na tentativa de montar o quebra-cabeça para explicar a distância que ele se impôs dos palcos, da música e das pessoas mais chegadas.

Belchior não é mesmo uma figura fácil de decifrar. Nunca foi. Talvez, por isso mesmo, não haveria de sair de cena sem provocar alucinações e muitas dúvidas. Ao longo de quatro meses, o Verso ouviu amigos que conviveram com o cantor antes e durante a reclusão. O episódio continua presente, direta ou indiretamente, como pano de fundo das homenagens e recordações que as pessoas mais próximas ao cantor sobralense preparam para reverenciá-lo.

Uma delas vem do radialista gaúcho Dogival Duarte, que mantém o hábito de se referir de forma abreviada ao autor de "Rapaz Latino-Americano". Para ele, Antônio Carlos Belchior é apenas "Bel". O vício de linguagem é, talvez, uma informalidade que adquiriu nos quase quatro anos de convivência ininterruptos com o compositor em Santa Cruz do Sul.

Foi ele o primeiro anfitrião de Belchior na cidade de médio porte, localizada no Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, onde o cantor passou os últimos anos de vida - sem cantar, como ele enfatiza. Só na casa desse amigo, Belchior morou um ano e meio. Depois, peregrinou por endereços de conhecidos até firmar residência na confortável casa do bairro Santo Inácio, arranjada por Dogival, onde faleceu o compositor cearense.

Não foram poucas as tentativas do amigo de ouvir a voz de Belchior cantando. Todas em vão. Caiu na real quando certa vez repetiu o convite e ganhou a seguinte resposta, em tom de brincadeira: "Pois não, pode ligar o aparelho de som e escolher o CD que eu canto para o senhor".

Amigos esporádicos desde a década de 1980, o reencontro foi fruto do acaso. Segundo Dogival, Belchior chegou à cidade, esbarrou com um conhecido que lembrou da relação entre os dois e estes marcaram um jantar na casa do radialista. Duas semanas depois, o compositor e a mulher - Edna Assunção de Araújo - se instalaram na casa do amigo gaúcho.

Belchior estava muito alegre, faceiro, não tinha sinal de nenhum problema ou doença. Mentalmente, conversava de fio a pavio, relembrava pessoas, shows... Não tinha depressão ou mau humor
Com a chegada do cearense, Dogival e outros amigos mantiveram em segredo o paradeiro do cantor. Viraram espécies de guardiões dessa história. Mesmo Dogival, jornalista e diretor de uma rádio local, não quis espalhar que o cearense estava na cidade para não ferir a confiança do amigo. "Ele dizia que as pessoas queriam matérias, fotos, autógrafo e depois iam embora e ele ficava na mesma", justifica.

Também percebeu certo desinteresse do cantor de manter contato com parentes e antigos amigos. O jornalista narra pelo menos dois episódios que deixaram isso claro para ele. Em um deles, Dogival conta que entregou na mão de Belchior o telefone de uma irmã que ligou em busca de notícias, mas ele nunca telefonou. Em outra ocasião, comentou que iria encontrar com o baterista Monsieur Parron, que acompanhava o artista em shows, e ouviu do cantor o pedido de discrição sobre o seu paradeiro. Dogival entendeu o recado.


Relato íntimo
Essa relação entre os dois, aprofundada principalmente nos anos mais enevoados sobre a vida do cantor, motivou Dogival a escrever um livro sobre a temporada em que Belchior passou em Santa Cruz do Sul. O radialista faz questão de frisar que o material - já escrito e que deve ser publicado de maneira independente até junho - não tem a pretensão de ser uma biografia, mas sim um relato afetivo e pessoal sobre a estada do cantor na casa dele e de outros amigos.

Dogival diz que se sentiu autorizado a escrever o material, já que em muitos momentos provocou o cantor sobre a escrita de um livro a respeito da trajetória dele. Sempre recebia como resposta uma autorização. "Pois não, pode escrever", dizia Belchior, segundo o amigo.

O livro está escrito, mas ainda passa por ajustes. Além do relato pessoal, a obra deve conter ainda uma entrevista inédita que o cantor concedeu ao amigo jornalista, bem como um mapeamento sobre as cidades pelas quais o cearense passou durante a temporada de viagens.

Obra revisada
Antes de ir para o autoexílio, Belchior teria passado alguns dias na casa do professor José Gomes Neto, em Florianópolis (SC). Foi a última vez que o amigo de mais de 30 anos viu pessoalmente o cantor. Segundo Gomes, Belchior estava sem empresário e tinha dificuldades de emplacar novos shows. No entanto, parecia animado com os projetos pensados pela esposa Edna, que, de acordo com o amigo, tinha tomado para si a responsabilidade de reposicionar Belchior no mercado. Os planos, entretanto, não vingaram.

Gomes era um velho conhecido do compositor de "Divina Comédia Humana". A relação começou lá pelos anos 1980, quando depois de um show na capital catarinense, o cantor recebeu o professor de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no camarim, gostou da conversa e manifestou interesse em conhecer a biblioteca do docente.

Em determinada oportunidade, Gomes aproveitou a aproximação para alertar Belchior sobre pequenas incorreções nas letras grafadas nos encartes dos discos que interferiam, segundo disse à época, na compreensão do sentido dos textos. Belchior se animou. Os dois começaram, então, a revisar juntos todas as letras e sistematizar as informações, já visando à publicação de um cancioneiro - espécie de livro que reúne toda a obra de um compositor.

O trabalho se alongava em debates sobre a língua portuguesa que, por óbvio, atraíam o compositor cearense. Muitas vezes, Gomes diz que recebeu as letras ainda em elaboração para uma última revisão. A atividade seguiu até o álbum Vício Elegante (1996), quando Gomes foi enquadrado por Belchior: "Zezão, o cancioneiro não vai sair?".

O professor respondeu que o livro poderia ser publicado desde que o cearense se comprometesse que nada mais iria escrever. Na avaliação de Gomes, não tinha sentido publicar um livro com todas as letras de Belchior se outras inéditas ainda pudessem surgir. "Eu disse que, se ele morresse antes de mim, eu publicaria com uma grande vantagem: ele não teria despesa e preocupação nenhuma", narra.

A promessa foi cumprida. O professor concluiu o cancioneiro neste ano e já apresentou a obra em algumas cidades brasileiras, entre elas Fortaleza, no último mês de março. Independente, o título ainda não está disponível para compra em livrarias. O autor tenta viabilizar a distribuição do material, buscando firmar parcerias para baratear a publicação.

Gomes também se dedica a um novo projeto. Pretende publicar um livro com correspondências trocadas com Belchior desde a década de 1980. Esse ainda não tem data para finalização. "Ele enviava cartas de 40 páginas falando sobre tudo. E ele pedia para publicar isso, está lá escrito", conta.

Nelas, o cantor fala sobre aspectos pessoais, mas que podem despertar interesse dos admiradores. "Por essas cartas, nós discutíamos nossas coisas. O gosto literário, as nossas viagens, as brincadeiras dele. O Belchior era um gozador", relembra o professor. Este livro, assim como o cancioneiro, é visto por ele como uma homenagem ao compositor amigo.

Biografia autorizada
A intimidade de Belchior, assim como a relação com a música e a família, deve ser explorada também em uma biografia que a irmã, a socióloga Angela Belchior, prepara junto ao advogado capixaba Estevão Zizzi. Há uma expectativa para a publicação do livro desde 2017, ano em que Belchior morreu, que coincide com a publicação da primeira biografia sobre o compositor cearense, escrita pelo jornalista Jotabê Medeiros.

À época, Angela e Estevão se contrapuseram a informações contidas na obra e declararam que dariam versão própria dos fatos relatados. Dois anos depois, o livro ainda não tem editora nem previsão de lançamento oficial, embora o autor diga que o primeiro volume da obra esteja pronto.

A publicação, de acordo com Estevão, deve sair em dois volumes. O primeiro abarca um resumo sobre a família Belchior, que remonta ao século 18, até o auge do disco "Alucinação" (1976).

Parceria
Ainda com o aval da irmã de Belchior, Zizzi também publicou, de maneira independente, um livro com uma longa entrevista atribuída ao cantor. O material, segundo ele, é um compilado de várias conversas informais que o autor teve com o Belchior desde a década 1970.

Publicada no formato pingue-pongue, a entrevista foi redigida, conforme o advogado, a partir de anotações que ele fazia durante conversas em Fortaleza, São Paulo e Espírito Santo. O autor, porém, não sabe precisar quantos encontros ocorreram nem existe uma divisão no próprio livro sobre em que época estes relatos foram colhidos.

Sobre a biografia, Zizzi diz que a publicação trará documentos inéditos sobre o compositor. O autor pretende lançá-lo ainda neste ano, mas encontra descompassos com as editoras. "Várias já me ligaram, mas me questionaram por que tantas informações no livro e eu não gostei disso. Quiseram diminuir. Passei para outra editora de São Paulo e eles não entenderam as propostas", disse.

Apenas no segundo volume, ainda não finalizado, o advogado e escritor pretende falar sobre o "sumiço" do cantor. É que o autor ainda tem dúvidas sobre parte dos acontecimentos no Rio Grande do Sul e decidiu aguardar. "Não quero fazer um livro para vender. Quero uma biografia final e eterna sobre ele", justifica a cautela.

Zizzi foi amigo de Belchior e se aproximou dele por intermédio da irmã. Agora, eles assinam em conjunto livros sobre o cantor. Segundo ele, ainda existe muita coisa não dita sobre o Antônio Carlos Belchior, principalmente, em relação aos últimos anos. Mas o que, especificamente, ainda é mistério.


Foto: Divulgação
Desenho | Xilogravura: Arievaldo Vianna (Direitos Reservados)

quarta-feira, 3 de abril de 2019

ZÉ ANTÔNIO DO FECHADO


Artigo de Gustavo Barroso, O Cruzeiro, 1954

PERIPÉCIAS DE UM VALENTÃO 
DO TEMPO DO IMPÉRIO


Ilustração de Jô Oliveira


O senhor feudal do Fechado

Estrepolias de José Antônio Uchoa, o célebre ZÉ ANTÔNIO DO FECHADO nas eleições do século XIX. Filho de um líder do Partido Conservador, bravo e destemido, ele interferiu, com seus asseclas, em eleições de diversos municípios, ainda no tempo da Monarquia. Os jornais da época trazem relatos de suas estrepolias em Canindé, Coité (Aratuba), Pentecoste (onde quis matar o padre Leitão), Mulungu e outros municípios do Maciço de Baturité e da Bacia do Curu. José Antônio de Sousa Uchôa nasceu em Canindé, em 1824 e faleceu na Fazenda Lagoa das Pedras, no dia 21/06/1918, também em Canindé. Foi absolvido dos crimes que lhe eram imputados depois de pedir perdão ao próprio Imperador Dom Pedro II, conforme atestam os versos de cantadores da época.

A seguir, trecho da crônica de GUSTAVO BARROSO intitulada "O SENHOR FEUDAL DO FECHADO"

"Seu pai, o capitão José Bernardo de Sousa Uchoa, antigo presidente do Senado da Câmara, proprietário da fazenda do Fechado, era um dos homens mais influentes da localidade. Representante legítimo por sua posição, educação e tendência do antigo patriarcalismo feudal que informou a vida pastoril nordestina e degenerou, mais tarde, no coronelismo, lutava pelo domínio da política municipal e, naturalmente, se tinha muitos amigos, também fizera inimigos. Entre estes, o maior era o tenente-coronel Manuel Mendes da Cruz Guimarães. No sertão, o ódio dos pais passa para os filhos e as famílias se empenham em lutas renhidas, que se propagam através das gerações como na Itália medieval."

Um bom assunto para o CARIRI CANGAÇO, não acham?

VER O TEXTO COMPLETO NESSE LINK:




ZÉ ANTÔNIO NA CRÔNICA DOS CANTADORES


VIOLEIROS DO NORTE, sétima edição.


Apresentamos agora, trecho da peleja dos cantadores Manoel Clementino com José Patrício, publicada em ‘Violeiros do Norte’, de 1925, premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1926. A primeira edição da obra foi pela Cia. Graphico Editora Monteiro Lobato, com 311 páginas. Antiga obra de poesia e linguagem do sertão nordestino. Vejamos o trecho da ‘peleja’ que se refere a ZÉ ANTONIO DO FECHADO:

Patrício:
- Deus no 5º mandamento,
Manda a gente não matar!
Quem ofende a Lei de Deus
Muito mal tem de acabar,
Porque quem com ferro fere
Ferido também será.

Clementino:
Só se esconde o valentão
Que vive com o pé na lama,
José Antônio do Fechado
Morreu em cima da cama,
Brigou, matou muita gente,
Morreu, mas ficou a fama.

P – Zé Antônio quando morreu,
A palácio tinha ido
E lá sua Majestade
Já o tinha absolvido,
Porque ele, dos seus crimes,
O perdão tinha pedido.

C – Conheci José Antônio
Na Vila, sendo eleitor,
Capitão, Juiz de Paz,
Fiscal e Vereador...
Pior: em setenta e sete
Houve um padre matador.

(...)

Essa peleja de Manoel Clementino Leite com José Patrício de Siqueira Patriota encontra-se reproduzida integralmente, com pequenas variantes, no livro CANGACEIROS DO NORDESTE, de Pedro Baptista (genro de Leandro Gomes de Barros). A primeira edição do livro de Pedro Baptista data de 1929.





Capa de cordel muito antigo, publicado em Fortaleza,
sobre José Antônio do Fechado



História de José Antônio do Fechado
Autor: João de Barros (Fortaleza-CE)
(TRECHOS)
Meu leitor preste atenção
No que agora vou contar
De um homem revoltado
Que morava n’um lugar
Onde a polícia e o exército
Tentaram o aprisionar.

Era uma bela fazenda
De um homem muito honrado
Sisudo e trabalhador,
Por todos muito acatado
Em vista das qualidades
De fazendeiro abastado.

Vivia elle feliz
Nesse esquisito lugar,
Tratando só de seus filhos
Ensinando-os a trabalhar
Sempre providenciando
Para nada lhe faltar.

Um dia dera uma surra
Em um cabra malcriado
Que por questões de somenos
Era um sujeito malvado
Criou um ódio mortal
A Zé Antônio do Fechado.

(...)

Pesquisa: Arievaldo Vianna

CARIRI CANGAÇO

Adiado o CARIRI CANGAÇO de Paulo Afonso-BA NOTA OFICIAL Diante do atual quadro de Pandemia do Covid-19 que assola nossa Naçã...

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