terça-feira, 14 de abril de 2020

CARIRI CANGAÇO




Adiado o CARIRI CANGAÇO de Paulo Afonso-BA

NOTA OFICIAL

Diante do atual quadro de Pandemia do Covid-19 que assola nossa Nação; considerando todas as recomendações das autoridades governamentais e sanitárias; federais, estaduais e municipais; e acima de tudo em profundo respeito à integridade e saúde da imensa família Cariri Cangaço de todo o Brasil, a Curadoria do Cariri Cangaço Paulo Afonso nas pessoas de Manoel Severo Barbosa e Joao de Sousa Lima, representando o Conselho Alcino Alves Costa e o Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso, comunicam que o referido seminário Cariri Cangaço Paulo Afonso 2020, anteriormente marcado para os dias 11 a 13 de junho do corrente, está ADIADO para data a ser confirmada posteriormente. Pedimos humildemente a compreensão de todos e permanecemos à inteira disposição para maiores esclarecimentos. Sabemos que a Vida é a Arte do Encontro e o Cariri Cangaço tem como grande legado fazer valer cada encontro, se cuidem e fiquem em casa, esperamos que no mais breve espaço de tempo possamos reunir a verdadeira alma nordestina, com respeito, festa e segurança.

Cariri Cangaço
Mais que um Evento, Um Sentimento...

CURADORES
Manoel Severo Barbosa
Conselho Alcino Alves Costa
João de Sousa Lima
Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso

APOIO INSTITUCIONAL
Benedito Vasconcelos
SBEC-Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Archimedes Marques
ABLAC- Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
Ângelo Osmiro Barreto
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
Narciso Dias
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço

domingo, 16 de fevereiro de 2020

UM CAUSO DE MINAS




A GAMELEIRA AMALDIÇOADA


Jô Drumond

Era usual, no sertão mineiro, a organização de reuniões para audição de literatura oral, principalmente nos finais de semana. Em meados do século passado, Xibiu, um famoso contador de causos, era sempre convidado pelos fazendeiros dos arredores a contar suas lorotas. Formava-se uma pequena plateia que, muitas vezes, atravessava horas sem perceber o fluir do tempo, presa ao fio narrativo.

Esse contador de histórias tinha o dom da eloquência. Associava intuitivamente o volume, a entonação da voz e a mímica à narrativa, de modo a causar comoção. Xibiu sentia-se poderoso ao ter diante de si uma plateia seleta, manipulada a seu bel-prazer. O público, já predisposto, extasiava-se com facilidade, ao sabor das aventuras e dos mistérios. É lamentável que a maioria dessas histórias se tenha dissipado na poeira do esquecimento.

Em minha última ida ao sertão, em 2019, tive o privilégio de ouvir um dos “causos” que ele contava, antes de sua única viagem sem volta, com destino provável, onde deve estar fazendo a alegria dos querubins, serafins e ofanins.

Era uma vez, em uma encruzilhada não muito distante, uma grande Gameleira, debaixo da qual, nenhuma erva brotava. Os habitantes da circunvizinhança diziam que a terra ali era estéril porque aquela árvore era amaldiçoada. Debaixo dela, à meia-noite, os demônios se reuniam para dançar e fazer festa. Diziam também que, se alguém quisesse fazer algum pedido à entidade demoníaca, naquele local e naquele horário, seria prontamente atendido. Ninguém nunca tinha tido o desplante de se aproximar do satânico festim.



Havia nas redondezas um velho apelidado de Papudo ou Zé do Papo, que carregava, com constrangimento, um grande bócio. Um aprendiz de doutor, vindo da cidade grande, disse-lhe que aquela protuberância nada mais era que o aumento da glândula tireoide, ocorrente em regiões montanhosas ou distantes do mar, devido a problemas de absorção e fixação de iodo no organismo. Acrescentou que, para evitar esse e outros tipos de anomalias congênitas, a vigilância sanitária exigia a adição de iodo ao nosso sal cotidiano. Mencionou a possibilidade de uma cirurgia. Isso seria quase impossível. Zé do Papo nunca tinha botado os pés fora do sertão. Desconhecia as gentes e os hábitos estranhos da cidade. Além disso não dispunha de meios pecuniários para tal façanha.

Desacreditava a história da Gameleira, mas, certo dia, cansado de ser motivo de deboches, resolveu tirar a história a limpo. O fato é que o peso das pilhérias pesava mais que o papo. Como se diz no sertão, ele “comprou coragem” durante um bom tempo e, mesmo assim, meio temeroso, lá se foi, em direção à gameleira, em noite de lua nova. De longe avistou claridade, debaixo da árvore e começou a ouvir os sons da noitada demoníaca. Aproximou-se com humildade e pediu, com grande modéstia, que o livrassem daquele incômodo que o acompanhava havia muito tempo. Os demônios se apiedaram do pobre coitado. Num passe de mágica, seu papo apareceu pregado no tronco da árvore. Papudo passou a mão pelo pescoço para se certificar. Mistério!!! Não era simples crendice. Voltou despapado para casa, para espanto geral. A notícia correu por trilhas e veredas, sertão afora. Outro papudo, sabedor do ocorrido, resolveu fazer o mesmo. Porém, diferentemente do primeiro, chegou pisando firme, de nariz em pé, com ares arrogantes, dizendo com altivez, que, como haviam tirado o papo do outro, que tirassem o seu também. Os capetas não gostaram de sua petulância e decidiram dar-lhe a merecida lição: tiraram o papo colado na árvore e o colocaram na cacunda do forasteiro, que voltou descabriado, com um papo na frente e outro atrás.

Moral da história: nem o capeta tolera petulância. Todos devem ser tratados com educação e delicadeza.

Disseram-me que Xibiu narrava a festa e a dança demoníaca com profusão de detalhes, prendendo a atenção de todos com mímica e impostação de voz. Nunca teve acessos a livros, nem ao saber convencional, mas carregava muita sabedoria nos bolsos da vida. Aplicava-se na arte de encantar e de conduzir os ouvintes a universos nunca dantes vislumbrados. Apesar de jamais ter-se deslocado do sertão, era o guia perfeito para grandes viagens míticas.

Nota: A gameleira é considerada sagrada na África, sobretudo em Angola, onde se cultua o orixá Irokô, também conhecido como Tempo. Nos recônditos do Brasil ainda há resquícios dessa crendice. Há rituais e diversos trabalhos de encantamentos feitos ao pé da gameleira branca ou fícus doliaria.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

ADEUS, MENINO PASSARINHO

Morre aos 91 anos o compositor e radialista Luiz Vieira



Sucesso nas rádios e na TV, Luiz Vieira compôs mais de 500 músicas ao longo da carreira Foto: Divulgação

Autor de mais de 500 canções, ele nasceu em Caruaru (PE), mas se mudou para o Rio ainda criança

RIO — Morreu hoje, aos 91 anos, o cantor, compositor e radialista Luiz Vieira . Ele estava internado na Casa de Saúde José, na Zona Sul do Rio, para onde foi levado após passar mal, em casa, na noite de ontem.

Ao GLOBO , Eurídice Pereira, casada há 30 anos com Vieira, conta que ele já vinha apresentando a saúde fragilizada. Depois de passar a noite internado, ele teve uma parada cardíaca e morreu às 7h30 desta quinta-feira.

Autor de sucessos como "Prelúdio para ninar gente grande (Menino passarinho)", "Paz do meu amor" e "A voz do povo", "Forró do Tio Augusto", "Guarânia da Lua Nova", dentre outras. Foi um dos principais parceiros de João de Valle, com quem compôs "Na Asa do Vento", "Maria Filó", "Estrela Miúda" e muitas outras. Luiz Vieira nasceu em Caruaru (PE), mas se mudou para o Rio de Janeiro ainda criança. Foi criado pelo avô em Alcântara, no município de São Gonçalo, e na década de 1940 começou a se apresentar como crooner em bares da Lapa. Tornou-se "príncipe do baião" durante sua passagem pela Rádio Tamoio, quando se apresentou ao lado de Luiz Gonzaga no programa "Salve o baião".

LUIZ  VIEIRA - FORRÓ DO TIO AUGUSTO (SR. BRASIL)



Como compositor Vieira tem mais de 500 músicas gravadas por diversos artistas, entre os quais, Caetano Veloso, Taiguara, Pery Ribeiro, Nara Leão, Moacyr Franco, Hebe Camargo, Augusto Calheiros, Gilberto Alves, Agnaldo Rayol, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga, Cascatinha e Inhana, Sérgio Reis, Rita Lee, Marcelo Costa e Maria Bethânia.
Em outubro de 2018, foi realizado um show em São Paulo como tributo aos 90 anos do artista. A homenagem contou com a presença de nomes como Daniel, Renato Teixeira, Zeca Baleiro, Sérgio Reis, Claudette Soares, Edy Star, Maria Alcina, As Galvão, Verônica Ferriani e Ayrton Montarroyos. Em maio do ano passado, a apresentação virou disco.




FONTE: JORNAL O GLOBO

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

MORTE E VIDA SEVERINA



Há 100 anos, nascia João Cabral de Melo Neto, o 'poeta engenheiro'

Por: Emannuel Bento | DP

Planejar a construção de uma casa envolve definição do terreno, levantamento da mão de obra necessária para a execução até a obtenção dos materiais e documentos. De forma símil, João Cabral de Melo Neto propôs uma engenharia ao escrever. Decidia qual seria o plano do livro, número de poemas, temas tratados. Assim, foi eternizado na história da literatura brasileira e mundial: um poeta sistemático, objetivo e consistente, que rejeitava o trabalho poético como um fruto de epifanias criativas ou inspirativas. E com isso tratou da realidade dura do Nordeste com olhar atento, sobretudo às desigualdades sociais. Hoje é comemorado o centenário do pernambucano, que viajou o globo pelo ofício de diplomata, mas foi imortalizado no mundo pelos seus poemas. Em 1999, mesmo ano de sua morte, tornou-se o único poeta brasileiro a ser forte candidato a receber o prêmio Nobel de Literatura.
Filho de Luís Antônio Cabral de Melo e Carmen Carneiro Leão Cabral de Melo, João Cabral nasceu no Recife, mas passou parte considerável da infância em engenhos de açúcar da família, em São Lourenço da Mata e Moreno, na Zona da Mata pernambucana. Ainda aos 8 anos, já apreciava cordéis e até lia algumas histórias para os empregados da família. Já nessa época, via a diferença entre os senhores de engenho e os mais pobres, fosse pelos cordéis ou pelo contato com os funcionários.
Aos 10 anos, ingressou no Colégio de Ponte d’Uchoa, dos Irmãos Marista, onde estudou até concluir o secundário. Teve uma formação muito rica, que já o preparava para a carreira de diplomata. Estudou muito o parnasianismo de Olavo Bilac, escola que incorporou o espírito positivista e científico, que influenciou o viés “construtivista” de poema.


Na década de 1940, a família se transferiu para o Rio de Janeiro. Na capital fluminense, publicou seu primeiro livro, Pedra do sono (1942), uma coletânea com poemas escritos durante a adolescência em Pernambuco. A obra é considerada um marco inicial do “cabralismo”, pois já tinha uma preocupação na construção do poema e do objeto do qual se fala, mas com experimentação poética e tentativas surrealistas - essa dualidade era evidenciada no título, que mescla o concreto e o sereno.
Em 1945, após ingressar no Itamaraty, peregrinou por vários países, como Inglaterra, Suíça e Senegal. O destaque foi a Espanha, onde viveu em cidades como Barcelona, Sevilha e Andaluzia. “A temporada em Andaluzia despertou em Cabral o interesse por manifestações populares da cultura, como o canto cigano e as touradas”, explica Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e um dos principais pesquisadores da obra de Cabral. “E foi somente a partir da experiência espanhola que o erotismo passou a marcar presença em sua produção.”
O diálogo com a cultura espanhola influenciou um processo de evidenciar uma visão objetiva do discurso lírico. O marco do início dessa linha é O engenheiro (1945). Dez anos depois, lançou sua “magnum opus”: Morte e vida severina, livro que retrata, em poema dramático, a trajetória de um retirante do Sertão nordestino em busca de vida melhor no Litoral urbano, narrativa comum em época de forte êxodo rural. O poema segue duas linhas que criam uma dicotomia, já existente no título. O subtítulo do poema é Auto de Natal pernambucano, criando um elo com autos medievais, conhecidos por linguagem simples, às vezes cômicos e moralizadores.
Na segunda metade dos anos 1960, o texto foi adaptado para o teatro em meio ao ápice de sua carreira. Foi nesse período que ele ingressou na ABL e publicou Educação pela pedra (1966), considerada sua obra-prima pela crítica. Muitos consideravam, inclusive, que não havia mais para onde progredir. O livro reúne 48 poemas criados de um modo rigoroso e sistemático, que procuravam atingir a consistência de uma pedra. O poema que intitula a obra traz lições que falam muito sobre sua linguagem seca e objetiva, criando um elo com a dura realidade do Nordeste. Realidade árida, ser humano árido.

Da obra poética de João Cabral, ainda se pode mencionar O cão sem plumas (1950), O rio (1954), Museu de tudo (1975), Auto do frade (1986), entre outros. João Cabral passou os últimos anos da vida mais recluso em um apartamento no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Chegou a produzir cinco livros nessa época, bem menos explorados pela nova geração de poetas - que evitavam seu formalismo - e pelos críticos.
Em carta de abril de 1984, para o editor Daniel Pereira, João Cabral escreveu: "Gostaria, francamente, que se esquecessem de minha existência como escritor. Isto é, gostaria que a gente de hoje antecipasse o esquecimento que virá para a minha poesia dentro de breves anos". Foi uma das vezes que, já recluso, o engenheiro se equivocou. A obra de João Cabral está sendo amplamente revisitada. Estão previstos um livro de entrevistas de Ivan Marques (que já é autor da biografia do poeta), uma fotobiografia de Eucanãa Ferraz e dois exemplares reunindo a obra completa na poesia e os textos em prosa.
Uma coletânea bilíngue (português e espanhol) de poemas será lançada na Feira do Livro de Quito, no Equador. O autor também será homenageado no 9º Festival Literário de Araxá (Fliaraxá), em Minas Gerais, em julho. A pesquisadora Edineia Rodrigues Ribeiro encontrou conteúdo inédito no acervo do autor na Fundação Casa de Rui Barbosa, que ainda está sendo analisado - mas cerca de 40 poemas já foram confirmados como inéditos e outras novidades podem surgir. A editora Alfaguara, detentora dos direitos autorais de Cabral, finaliza os trâmites para relançar as obras.

FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO

CARIRI CANGAÇO

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