domingo, 28 de abril de 2019

BELCHIOR NO CADERNO 'VERSO' DO DN


Dois anos sem Belchior: autoexílio ainda inspira dúvidas e obras do cantor seguem reverenciadas

Por Rômulo Costa, romulo.costa@verdesmares.com.br
(Fonte: DIÁRIO DO NORDESTE)




Mesmo após sua partida, o "rapaz latino-americano" se mantém como figura enigmática e simbólica para os fãs, admiradores e amigos

As perguntas que Belchior deixou em suspenso quando partiu para o autoexílio continuam ecoando no pensamento de quem conviveu com o cantor antes ou depois do "sumiço". Na próxima terça-feira (30), a morte do cearense completa dois anos e, ainda hoje, os amigos se voltam ao episódio na tentativa de montar o quebra-cabeça para explicar a distância que ele se impôs dos palcos, da música e das pessoas mais chegadas.

Belchior não é mesmo uma figura fácil de decifrar. Nunca foi. Talvez, por isso mesmo, não haveria de sair de cena sem provocar alucinações e muitas dúvidas. Ao longo de quatro meses, o Verso ouviu amigos que conviveram com o cantor antes e durante a reclusão. O episódio continua presente, direta ou indiretamente, como pano de fundo das homenagens e recordações que as pessoas mais próximas ao cantor sobralense preparam para reverenciá-lo.

Uma delas vem do radialista gaúcho Dogival Duarte, que mantém o hábito de se referir de forma abreviada ao autor de "Rapaz Latino-Americano". Para ele, Antônio Carlos Belchior é apenas "Bel". O vício de linguagem é, talvez, uma informalidade que adquiriu nos quase quatro anos de convivência ininterruptos com o compositor em Santa Cruz do Sul.

Foi ele o primeiro anfitrião de Belchior na cidade de médio porte, localizada no Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, onde o cantor passou os últimos anos de vida - sem cantar, como ele enfatiza. Só na casa desse amigo, Belchior morou um ano e meio. Depois, peregrinou por endereços de conhecidos até firmar residência na confortável casa do bairro Santo Inácio, arranjada por Dogival, onde faleceu o compositor cearense.

Não foram poucas as tentativas do amigo de ouvir a voz de Belchior cantando. Todas em vão. Caiu na real quando certa vez repetiu o convite e ganhou a seguinte resposta, em tom de brincadeira: "Pois não, pode ligar o aparelho de som e escolher o CD que eu canto para o senhor".

Amigos esporádicos desde a década de 1980, o reencontro foi fruto do acaso. Segundo Dogival, Belchior chegou à cidade, esbarrou com um conhecido que lembrou da relação entre os dois e estes marcaram um jantar na casa do radialista. Duas semanas depois, o compositor e a mulher - Edna Assunção de Araújo - se instalaram na casa do amigo gaúcho.

Belchior estava muito alegre, faceiro, não tinha sinal de nenhum problema ou doença. Mentalmente, conversava de fio a pavio, relembrava pessoas, shows... Não tinha depressão ou mau humor
Com a chegada do cearense, Dogival e outros amigos mantiveram em segredo o paradeiro do cantor. Viraram espécies de guardiões dessa história. Mesmo Dogival, jornalista e diretor de uma rádio local, não quis espalhar que o cearense estava na cidade para não ferir a confiança do amigo. "Ele dizia que as pessoas queriam matérias, fotos, autógrafo e depois iam embora e ele ficava na mesma", justifica.

Também percebeu certo desinteresse do cantor de manter contato com parentes e antigos amigos. O jornalista narra pelo menos dois episódios que deixaram isso claro para ele. Em um deles, Dogival conta que entregou na mão de Belchior o telefone de uma irmã que ligou em busca de notícias, mas ele nunca telefonou. Em outra ocasião, comentou que iria encontrar com o baterista Monsieur Parron, que acompanhava o artista em shows, e ouviu do cantor o pedido de discrição sobre o seu paradeiro. Dogival entendeu o recado.


Relato íntimo
Essa relação entre os dois, aprofundada principalmente nos anos mais enevoados sobre a vida do cantor, motivou Dogival a escrever um livro sobre a temporada em que Belchior passou em Santa Cruz do Sul. O radialista faz questão de frisar que o material - já escrito e que deve ser publicado de maneira independente até junho - não tem a pretensão de ser uma biografia, mas sim um relato afetivo e pessoal sobre a estada do cantor na casa dele e de outros amigos.

Dogival diz que se sentiu autorizado a escrever o material, já que em muitos momentos provocou o cantor sobre a escrita de um livro a respeito da trajetória dele. Sempre recebia como resposta uma autorização. "Pois não, pode escrever", dizia Belchior, segundo o amigo.

O livro está escrito, mas ainda passa por ajustes. Além do relato pessoal, a obra deve conter ainda uma entrevista inédita que o cantor concedeu ao amigo jornalista, bem como um mapeamento sobre as cidades pelas quais o cearense passou durante a temporada de viagens.

Obra revisada
Antes de ir para o autoexílio, Belchior teria passado alguns dias na casa do professor José Gomes Neto, em Florianópolis (SC). Foi a última vez que o amigo de mais de 30 anos viu pessoalmente o cantor. Segundo Gomes, Belchior estava sem empresário e tinha dificuldades de emplacar novos shows. No entanto, parecia animado com os projetos pensados pela esposa Edna, que, de acordo com o amigo, tinha tomado para si a responsabilidade de reposicionar Belchior no mercado. Os planos, entretanto, não vingaram.

Gomes era um velho conhecido do compositor de "Divina Comédia Humana". A relação começou lá pelos anos 1980, quando depois de um show na capital catarinense, o cantor recebeu o professor de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no camarim, gostou da conversa e manifestou interesse em conhecer a biblioteca do docente.

Em determinada oportunidade, Gomes aproveitou a aproximação para alertar Belchior sobre pequenas incorreções nas letras grafadas nos encartes dos discos que interferiam, segundo disse à época, na compreensão do sentido dos textos. Belchior se animou. Os dois começaram, então, a revisar juntos todas as letras e sistematizar as informações, já visando à publicação de um cancioneiro - espécie de livro que reúne toda a obra de um compositor.

O trabalho se alongava em debates sobre a língua portuguesa que, por óbvio, atraíam o compositor cearense. Muitas vezes, Gomes diz que recebeu as letras ainda em elaboração para uma última revisão. A atividade seguiu até o álbum Vício Elegante (1996), quando Gomes foi enquadrado por Belchior: "Zezão, o cancioneiro não vai sair?".

O professor respondeu que o livro poderia ser publicado desde que o cearense se comprometesse que nada mais iria escrever. Na avaliação de Gomes, não tinha sentido publicar um livro com todas as letras de Belchior se outras inéditas ainda pudessem surgir. "Eu disse que, se ele morresse antes de mim, eu publicaria com uma grande vantagem: ele não teria despesa e preocupação nenhuma", narra.

A promessa foi cumprida. O professor concluiu o cancioneiro neste ano e já apresentou a obra em algumas cidades brasileiras, entre elas Fortaleza, no último mês de março. Independente, o título ainda não está disponível para compra em livrarias. O autor tenta viabilizar a distribuição do material, buscando firmar parcerias para baratear a publicação.

Gomes também se dedica a um novo projeto. Pretende publicar um livro com correspondências trocadas com Belchior desde a década de 1980. Esse ainda não tem data para finalização. "Ele enviava cartas de 40 páginas falando sobre tudo. E ele pedia para publicar isso, está lá escrito", conta.

Nelas, o cantor fala sobre aspectos pessoais, mas que podem despertar interesse dos admiradores. "Por essas cartas, nós discutíamos nossas coisas. O gosto literário, as nossas viagens, as brincadeiras dele. O Belchior era um gozador", relembra o professor. Este livro, assim como o cancioneiro, é visto por ele como uma homenagem ao compositor amigo.

Biografia autorizada
A intimidade de Belchior, assim como a relação com a música e a família, deve ser explorada também em uma biografia que a irmã, a socióloga Angela Belchior, prepara junto ao advogado capixaba Estevão Zizzi. Há uma expectativa para a publicação do livro desde 2017, ano em que Belchior morreu, que coincide com a publicação da primeira biografia sobre o compositor cearense, escrita pelo jornalista Jotabê Medeiros.

À época, Angela e Estevão se contrapuseram a informações contidas na obra e declararam que dariam versão própria dos fatos relatados. Dois anos depois, o livro ainda não tem editora nem previsão de lançamento oficial, embora o autor diga que o primeiro volume da obra esteja pronto.

A publicação, de acordo com Estevão, deve sair em dois volumes. O primeiro abarca um resumo sobre a família Belchior, que remonta ao século 18, até o auge do disco "Alucinação" (1976).

Parceria
Ainda com o aval da irmã de Belchior, Zizzi também publicou, de maneira independente, um livro com uma longa entrevista atribuída ao cantor. O material, segundo ele, é um compilado de várias conversas informais que o autor teve com o Belchior desde a década 1970.

Publicada no formato pingue-pongue, a entrevista foi redigida, conforme o advogado, a partir de anotações que ele fazia durante conversas em Fortaleza, São Paulo e Espírito Santo. O autor, porém, não sabe precisar quantos encontros ocorreram nem existe uma divisão no próprio livro sobre em que época estes relatos foram colhidos.

Sobre a biografia, Zizzi diz que a publicação trará documentos inéditos sobre o compositor. O autor pretende lançá-lo ainda neste ano, mas encontra descompassos com as editoras. "Várias já me ligaram, mas me questionaram por que tantas informações no livro e eu não gostei disso. Quiseram diminuir. Passei para outra editora de São Paulo e eles não entenderam as propostas", disse.

Apenas no segundo volume, ainda não finalizado, o advogado e escritor pretende falar sobre o "sumiço" do cantor. É que o autor ainda tem dúvidas sobre parte dos acontecimentos no Rio Grande do Sul e decidiu aguardar. "Não quero fazer um livro para vender. Quero uma biografia final e eterna sobre ele", justifica a cautela.

Zizzi foi amigo de Belchior e se aproximou dele por intermédio da irmã. Agora, eles assinam em conjunto livros sobre o cantor. Segundo ele, ainda existe muita coisa não dita sobre o Antônio Carlos Belchior, principalmente, em relação aos últimos anos. Mas o que, especificamente, ainda é mistério.


Foto: Divulgação
Desenho | Xilogravura: Arievaldo Vianna (Direitos Reservados)

quarta-feira, 3 de abril de 2019

ZÉ ANTÔNIO DO FECHADO


Artigo de Gustavo Barroso, O Cruzeiro, 1954

PERIPÉCIAS DE UM VALENTÃO 
DO TEMPO DO IMPÉRIO


Ilustração de Jô Oliveira


O senhor feudal do Fechado

Estrepolias de José Antônio Uchoa, o célebre ZÉ ANTÔNIO DO FECHADO nas eleições do século XIX. Filho de um líder do Partido Conservador, bravo e destemido, ele interferiu, com seus asseclas, em eleições de diversos municípios, ainda no tempo da Monarquia. Os jornais da época trazem relatos de suas estrepolias em Canindé, Coité (Aratuba), Pentecoste (onde quis matar o padre Leitão), Mulungu e outros municípios do Maciço de Baturité e da Bacia do Curu. José Antônio de Sousa Uchôa nasceu em Canindé, em 1824 e faleceu na Fazenda Lagoa das Pedras, no dia 21/06/1918, também em Canindé. Foi absolvido dos crimes que lhe eram imputados depois de pedir perdão ao próprio Imperador Dom Pedro II, conforme atestam os versos de cantadores da época.

A seguir, trecho da crônica de GUSTAVO BARROSO intitulada "O SENHOR FEUDAL DO FECHADO"

"Seu pai, o capitão José Bernardo de Sousa Uchoa, antigo presidente do Senado da Câmara, proprietário da fazenda do Fechado, era um dos homens mais influentes da localidade. Representante legítimo por sua posição, educação e tendência do antigo patriarcalismo feudal que informou a vida pastoril nordestina e degenerou, mais tarde, no coronelismo, lutava pelo domínio da política municipal e, naturalmente, se tinha muitos amigos, também fizera inimigos. Entre estes, o maior era o tenente-coronel Manuel Mendes da Cruz Guimarães. No sertão, o ódio dos pais passa para os filhos e as famílias se empenham em lutas renhidas, que se propagam através das gerações como na Itália medieval."

Um bom assunto para o CARIRI CANGAÇO, não acham?

VER O TEXTO COMPLETO NESSE LINK:




ZÉ ANTÔNIO NA CRÔNICA DOS CANTADORES


VIOLEIROS DO NORTE, sétima edição.


Apresentamos agora, trecho da peleja dos cantadores Manoel Clementino com José Patrício, publicada em ‘Violeiros do Norte’, de 1925, premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1926. A primeira edição da obra foi pela Cia. Graphico Editora Monteiro Lobato, com 311 páginas. Antiga obra de poesia e linguagem do sertão nordestino. Vejamos o trecho da ‘peleja’ que se refere a ZÉ ANTONIO DO FECHADO:

Patrício:
- Deus no 5º mandamento,
Manda a gente não matar!
Quem ofende a Lei de Deus
Muito mal tem de acabar,
Porque quem com ferro fere
Ferido também será.

Clementino:
Só se esconde o valentão
Que vive com o pé na lama,
José Antônio do Fechado
Morreu em cima da cama,
Brigou, matou muita gente,
Morreu, mas ficou a fama.

P – Zé Antônio quando morreu,
A palácio tinha ido
E lá sua Majestade
Já o tinha absolvido,
Porque ele, dos seus crimes,
O perdão tinha pedido.

C – Conheci José Antônio
Na Vila, sendo eleitor,
Capitão, Juiz de Paz,
Fiscal e Vereador...
Pior: em setenta e sete
Houve um padre matador.

(...)

Essa peleja de Manoel Clementino Leite com José Patrício de Siqueira Patriota encontra-se reproduzida integralmente, com pequenas variantes, no livro CANGACEIROS DO NORDESTE, de Pedro Baptista (genro de Leandro Gomes de Barros). A primeira edição do livro de Pedro Baptista data de 1929.





Capa de cordel muito antigo, publicado em Fortaleza,
sobre José Antônio do Fechado



História de José Antônio do Fechado
Autor: João de Barros (Fortaleza-CE)
(TRECHOS)
Meu leitor preste atenção
No que agora vou contar
De um homem revoltado
Que morava n’um lugar
Onde a polícia e o exército
Tentaram o aprisionar.

Era uma bela fazenda
De um homem muito honrado
Sisudo e trabalhador,
Por todos muito acatado
Em vista das qualidades
De fazendeiro abastado.

Vivia elle feliz
Nesse esquisito lugar,
Tratando só de seus filhos
Ensinando-os a trabalhar
Sempre providenciando
Para nada lhe faltar.

Um dia dera uma surra
Em um cabra malcriado
Que por questões de somenos
Era um sujeito malvado
Criou um ódio mortal
A Zé Antônio do Fechado.

(...)

Pesquisa: Arievaldo Vianna

quarta-feira, 27 de março de 2019

MEMÓRIA DA MÚSICA NORDESTINA


Acervo Jorge Mello: um recanto de cuidados para com memórias nacionais

Um acervo que funciona na cidade de Embú-Guaçu, no estado de São Paulo, a 48km da capital, guarda a memória de toda uma geração da Música Popular Brasileira, além de arquivar folhetos de cordel piauienses da década de 50. Seu responsável é o cantor e compositor Jorge Mello, artista surgido no interior do movimento denominado “Pessoal do Ceará” – cujos integrantes são, dentre outros, Raimundo Fagner, Ednardo, Rodger Rogério e Teti -, que invadiu o eixo Rio-São Paulo e se firmou como marco importante para a canção nacional.
Desde muito jovem, Mello, sem nenhuma pretensão futura, iniciou o armazenamento de uma série de documentos – isto na época em que já trabalhava na tradicional bodega de seu pai, em Piripiri, no interior do Piauí. Entre eles, revistas em quadrinhos, material poético de cantadores repentistas e fotogramas de filmes da época. “O interessante é que desde meados da década de 1950, eu junto e guardo esses documentos até hoje. Tenho muitos folhetos de cordel no acervo. Milhares deles! Grande parte adquiridos naqueles anos dourados como ajudante de bodegueiro com meu pai.”

Quero dizer com isso que sou um guardador de papéis. Nunca os jogo fora, conta.

A história do arquivo se confunde com a trajetória artística de seu memorialista. Aos 15 anos, Jorge foi estudar em Teresina e lá, nesta mesma idade, teve seu primeiro poema publicado. Logo após, crônicas. Guarda tudo e vai para Fortaleza, no Ceará, com o fim de se lançar cantor na televisão. Aos 17, passa a integrar um programa na TV Ceará e a participar de festivais de música na cidade. Visto isso, matérias surgem em veículos impressos. Mello não deixa de armazenar. Confundido com sua própria história, está a de seus companheiros musicais. Compactos raros de Fagner, por exemplo, são documentos facilmente encontrados nas caixas do acervo.
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Compacto Duplo “Felicidade Geral”, 1972 – Um dos registros fonográficos raros que podem ser encontrados no acervo / Foto: Reprodução.
Belchior, artista cearense que fez sucesso na década de 70 com canções como “Apenas um Rapaz Latino-Americano” e “Velha Roupa Colorida”, é um dos maiores parceiros de Jorge. Com ele, o arquivista manteve uma íntima amizade e também uma parceria comercial de sucesso a partir da fundação da produtora Paraíso Discos e da editora Constelações – responsáveis pela gravação de centenas de outros cantores. Foi com o famoso desaparecimento deste, no ano de 2007, que teve a ideia de organizar seus materiais. “Só vim ter consciência do que tinha guardado, com o desaparecimento do Belchior em 2007. Porque vi chegarem a minha casa os veículos de imprensa à procura de notícias para suas pautas e encontraram tudo o que queriam. Eu via a admiração daqueles jornalistas pelo que eu guardara. Foi quando passei a organizar melhor aquela bagunça”, relata.
O mais cativante é que o memorial é um espaço aberto e gratuito. Todos podem entrar, mexer nos documentos e levar cópias para casa. É, sobretudo, um espaço para a liberdade da pesquisa e, também, para a produção cinematográfica. São mais de 50.000 documentos, tudo mantido com fundos financeiros particulares do seu curador. Desde a construção do espaço, e transporte dos documentos, ao pagamento dos custos fixos próprios do local. Os amigos de geração também ajudam, mas com a contribuição de CD’s, matérias veiculadas na imprensa, fotos e peças multimídia em geral.
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Jorge Mello e Antônio Carlos Belchior, uma parceria fundamental para a Música Popular Brasileira / Foto: Acervo Pessoal
Embú foi escolhida para locar o acervo por inúmeros motivos. Entretanto, o mais interessante é que Jorge, inicialmente, comprou a propriedade com o objetivo de colocar seus netos em contato mais profundo com a natureza. Mello é um artista nordestino, enfiado no interior de São Paulo e, nos seus 70 anos de idade, prefere a calmaria do sítio ao fervilhar da metrópole. Como todo compositor incansável, continua escrevendo e somando peças ao seu cancioneiro.
Caso tenha mais curiosidade sobre a obra de Jorge Mello, muito facilmente podem ser encontradas entrevistas – Como, por exemplo, a que concedeu a Jô Soares e a do Programa Nomes do Nordeste, gravado no Centro Cultural Banco do Nordeste – no YouTube e textos variados – como um verbete no Dicionário Cravo Albin de Música Brasileira – na internet.  
FONTE: Blog MESA 22
RAFIQUE NASSER

quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia Mundial da Poesia:




Data celebra a reinvenção do gênero literário a partir de diferentes projetos

Por Diego Barbosa,

Expressão artística considerada anterior à escrita, poesia encontra eco em diversidade de trabalhos de cearenses

VERSO | DN

É extensa a linha de onde partem as origens da poesia. Atravessando diferentes períodos da História, esse gênero literário detém tradição milenar, iniciado, de acordo com pesquisas, em registros produzidos em monólitos, pedras rúnicas e placas das primeiras culturas letradas. Sob o viés de outras correntes de estudo, é forma de expressão artística anterior à escrita, manifestada sobretudo por meio de rimas memorizadas, transmitidas oralmente.

Da Epopeia de Gilgamesh – encarado como o poema épico, elaborado na Suméria, atual Iraque, a 3000 a.C. –  até hoje, a percepção é de que o avançar do tempo colaborou para o texto lírico ganhar fôlego e adeptos no mundo inteiro. Prova disso são as iniciativas capitaneadas especialmente para esta quinta-feira (21), quando se celebra o Dia Mundial da Poesia – data criada pela Unesco durante conferência que, em 2019, completa 20 anos de realização.

Em Fortaleza, o Instituto Chico Mota abre as portas para o Sarau Literário, atividade integrante do Projeto Nunca é Tarde, voltado para formação de leitores na terceira idade. Na ocasião, a partir das 15h, alunos da oficina de Escrita Criativa da casa compartilharão suas produções, com varal de poesia, leituras, performance e microfone aberto.

Outra ação de fomento à arte poética poderá ser encontrada no Roquen’derrou Café & Pub, localizado no Salinas Casa Shopping. O estabelecimento seguirá no rastro de um projeto surgido na Áustria e adotado em outros países estrangeiros, intitulado “Pague com um poema”.

Em solo cearense, acontecerá assim: um poema escrito à mesa equivale a um café expresso gratuito. Maneira aconchegante de fazer circular métricas, rimas e inspirações de toda ordem.

VEJA POSTAGEM COMPLETA NESSE LINK: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/verso/online/dia-mundial-da-poesia-data-celebra-a-reinvencao-do-genero-literario-a-partir-de-diferentes-projetos-1.2077425?fbclid=IwAR11No-R_0QmCedoSjUtwyKwlAj3Ewg6FOLQADyFsfaa15IDFXccGW4_Ip8

quarta-feira, 20 de março de 2019

VIAGEM AO REINO ENCANTADO DO CORDEL




                                                 

PROJETO CORDEL COM A CORDA TODA CHEGA A ESCOLAS DE MARACANAÚ, CANINDÉ E QUIXERAMOBIM

 Sob a curadoria do cordelista e editor Klévisson Viana, o Projeto reúne poetas declamadores, repentista e xilogravador  em ação voltada para o público infantil.



Nos dias 28 de fevereiro, 21 e 22 de março de 2019, o “Projeto Cordel com a Corda Toda na Escola” estará presente nos municípios de Maracanaú, Canindé e Quixeramobim, respectivamente.

Com apoio da Secretaria Estadual da Cultura no “Programa Mais Infância”, a nova etapa do Projeto leva oficinas de xilogravura, lançamentos de livro e recitais a escolas públicas de municípios cearenses.

O projeto contempla o lançamento do livro Viagem ao reino Encantado do Cordel, dos autores Klévisson Viana e Arlene Holanda, com ilustrações do xilogravador e escritor cratense Maércio Lopes Siqueira, bem como oficinas de xilogravuras com o mestre João Pedro do Juazeiro; cantoria de viola com o jovem repentista Guilherme Nobre e recitais com Francisco Melchíades, Paulo de Tarso, Rafael Brito e Evaristo Geraldo da Silva.

O projeto é 100% gratuito para as escolas, livros e apostilas do projeto serão doados para o acervo das escolas, bem como folhetos de Literatura de Cordel em formato tradicional. Na ocasião serão promovidas, também, exposição e feira de artigos relacionados à nossa cultura e poesia popular.

Serão realizadas diversas ações dedicadas ao gênero literário Cordel e às artes que com ele têm afinidades. Nesta etapa do “Projeto Cordel com a Corda Toda nas Escolas” os coordenadores esperam contemplar cerca de 1000 crianças e educadores de forma direta e indireta com oficinas, lançamentos, apresentações, recitais e livros produzidos dentro do projeto. 

A Escola Municipal José Belisário de Sousa, em Maracanaú, as escolas São Francisco, Adauto Bezerra e Biblioteca Cruz Filho, em Canindé, além da Escola Agrícola Dep. Leorne Belém e E.E.M.T.I Cel Humberto Bezerra, em Quixeramobim, receberão palestras com Klévisson Viana e Arlene Holanda, autores do livro Viagem ao reino Encantado do Cordel, oficinas de xilogravura com o renomado gravurista João Pedro do Juazeiro, cantorias com Guilherme Nobre e recitais com diversos declamadores.


  
MANIFESTAÇÃO LITERÁRIA

O Ceará se perpetua como o maior polo produtor de Literatura de Cordel desde os longínquos tempos da Tipografia São Francisco, em Juazeiro do Norte, posteriormente rebatizada de Lira Nordestina. A partir da década de 1990, essa produção se acentuou na capital do Estado, sobretudo após o surgimento de associações de poetas, trovadores e folheteiros, tais como o Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste (CECORDEL), a Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE), entre outras, além da consolidada casa editorial Tupynanquim Editora.

Com linguagem coloquial, a Literatura de Cordel é reconhecida como importante manifestação literária, pois é compreendida como uma das nossas primeiras manifestações poéticas em língua portuguesa, tendo origem na produção oral trovadoresca. Nesse sentido, a Literatura de Cordel é cada vez mais aceita nas escolas, em programas governamentais e estudada por universidades espalhadas em todo o mundo.

O “Projeto Cordel com a Corda Toda na Escola” é uma iniciativa da Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará – AESTROFE com recursos do Governo do Estado do Ceará, Secretaria Estadual da Cultura – SECULT dentro do programa “Mais Infância Ceará”.



                       
Atendimento à imprensa:
Klévisson Viana – 
(85) 3217-2891 / 9 9675-1099  aestrofe@gmail.com
Arlene Holanda (85) 9 9725-4938 arleneholanda@gmail.com
Bruno Paulino – Quixeramobim (85) 9 9608-6569  bruno_enxadrista@hotmail.com
Noélia Bastos – Canindé  noeliabastos@yahoo.com.br




sábado, 16 de março de 2019

MEMÓRIA DA CANTORIA



HISTÓRIA DE UMA FOTOGRAFIA 


No clássico “CANTADORES”, seu livro de estreia em 1921, Leonardo Mota (*Pedra Branca-CE, 10 de maio de 1891 + Fortaleza-CE, 2 de janeiro de 1948) conta a história dessa fotografia, onde ele aparece anotando os versos de Cego Aderaldo e Jacó Passarinho. O Cego, muito posista, fere as cordas de uma rabeca e tem um cigarro detrás da orelha.  Jacó Passarinho, empertigado e muito senhor de si, acentua a elegância dos cantadores do passado. Vejamos o que diz Leota a respeito dessa foto, na página 74 de seu livro (3ª edição, Imprensa Universitária do Ceará, 1960):

“Rematarei as referências a Jacó Passarinho, aludindo aos versos que dele ouvi e do Cego Aderaldo, quando nos fizemos os três fotografar. Eu lhes havia recomendado que tomassem a atitude em que costumavam cantar e não se preocupassem com o “retratista”. Para maior naturalidade da fotografia, quis que a mesma reproduzisse um flagrante de desafio. Foi quando dos espontâneos menestréis colhi essas estrofes:

P. — Ceguinho, preste atenção,
         Repare o que está fazendo!
         Você, como não enxerga,
         Canta, porém não está vendo.
         Vigie que a nossa cantiga
         O doutor tá escrevendo...

C. — Se ele estiver escrevendo,
Eu nada posso fazer;
Sou cantador de improviso,
Ele bem deve saber...
Se ‘seu’ Doutor achar graça
É mangando de você.

— Mangando de mim? Duvido!
Deixe dessa moda feia
Tu morre e  não perde o sestro
De falar da vida alheia,
Ele manga é do cigarro
Que tu tem atrás da ‘oreia’.

— Passarinho, avoe mais baixo
Quando ocê cantar mais eu
Eu quero arrancar-lhe o bico
E as penas, só de judeu!
Invejoso, este cigarro
Foi seu Doutor que me deu.

— Pra tirar este retrato,
Andei légua e meia a pé,
Mas só tiro com você
Porque o Doutor é quem quer;
Cego assim, de pincenê
Parece é com caboré!

— Passarim venha mais manso
Senão tu paga o que deve
Quem conhece a minha força
Pro meu lado não se atreve.
Repente em minha cabeça
É olho d’água que 'réve'...


7ª edição de CANTADORES - Editora ABC


1ª Edição de CANTADORES, Livraria Castilho, 1921.


Aderaldo Ferreira de Araújo (Cego Aderaldo)


quinta-feira, 14 de março de 2019

MUSEU LUIZ GONZAGA E O SERTÃO

FAZENDA TREME - MADALENA-CE

Inauguração em breve


 Logomarca do MUSEU | Gravura de Arievaldo Vianna


Antônio Cícero, Dona Dina e Gonzagão (Missa do Vaqueiro em Canindé)




Arte da fachada do MUSEU


CARIRI CANGAÇO

Adiado o CARIRI CANGAÇO de Paulo Afonso-BA NOTA OFICIAL Diante do atual quadro de Pandemia do Covid-19 que assola nossa Naçã...

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